sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O Globo

13/11/09
Apagão: explicação do governo não convence especialistas, que veem falha humana
Ramona Ordoñez

RIO - Técnicos em engenharia elétrica e especialistas não acreditaram nas explicações do governo federal, de que o mau tempo teria provocado o blecaute que ocorreu na noite da última terça-feira atingindo 18 estados , entre os quais São Paulo e Rio de Janeiro. Técnicos ouvidos pelo GLOBO não descartaram a possibilidade ter ocorrido uma falha humana na operação do sistema. O professor de Engenharia Elétrica da Coppe/UFRJ Carlos Manuel Portela, considerado um dos maiores especialistas em linhas de transmissão no Brasil, acha difícil um número grande de descargas elétricas ter se concentrado em um período pequeno em uma região, atingindo as três linhas de transmissão de Itaipu. Portela disse ter estudado com profundidade blecautes de grande porte ocorridos em outros países, que sempre registraram como um dos motivos a falha humana. - Não pode ter sido um raio que derrubou as três linhas quase que ao mesmo tempo. Em todos os blecautes importantes ocorridos no mundo, houve bobagem humana - afirmou Portela. Diretor do CBIE defende tecnologias mais inteligentes Para o professor, o sistema elétrico brasileiro é moderno e usa as tecnologias mais modernas do mundo. Segundo Portela, por mais avançados e automáticos que sejam os equipamentos, por mais inteligentes, sempre é fundamental a participação do ser humano. O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires Rodrigues, também não acredita nas explicações oficiais. Ele afirmou que é preciso investir em novas tecnologias, mais inteligentes, para aumentar a segurança do sistema. Por outro lado, segundo Adriano Pires, houve uma falha na gestão do sistema elétrico. Isso porque, explicou, a operação do sistema deve levar em conta a confiabilidade do sistema e a modicidade tarifária. Ele disse ainda que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), ao planejar a operação, parece estar preocupado somente com os menores custos. - Por que concentrar uma geração tão elevada apenas em Itaipu? Por que não se acionou em escala menor alguma termelétrica? Porque eles estão levando em conta apenas custos menores de operação - destacou Pires. Segundo o executivo do CBIE, um sistema de energia como o do Brasil não pode cair por causa de um fenômeno atmosférico. Se a causa for essa, é fundamental o país investir mais em novas tecnologias mais inteligentes. Adriano Pires citou o caso da Smart Grid, que já está sendo usada em alguns países. Esse é um sistema de geração inteligente quase individual. Com ele, um consumidor pode ter sua geração própria de energia, que automaticamente pode entrar na rede ou não, dependendo das oscilações dos custos de energia. - Hoje o autoprodutor gera energia mas joga na rede interligada, o que o deixa vulnerável em caso de blecaute no sistema. O Smart Grid é uma geração individual de energia - explicou Adriano Pires. 'Não acredito que foi um raio', diz engenheiro O engenheiro elétrico Clayton Vabo também não acredita que problemas atmosféricos tenham provocado o blecaute. Ele não descarta a possibilidade de alguma falha humana na operação do sistema. - Não dá para entender o que aconteceu. Todos nós estamos muito apreensivos. Se houve falha nos equipamentos, deveria ter ocorrido uma recuperação mais rápida - disse Vabo. Para o engenheiro, se for comprovado que houve falhas, será necessário o setor desenvolver e adotar novos sistemas de redundância para evitar um novo blecaute dessas proporções: - Tem um mistério muito grande. Não acredito que foi um raio. Pode ter sido uma manobra errada, uma falha humana. Na quarta-feira, em entrevista ao GLOBO, o diretor da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, levantou a hipótese de um erro de computador ou de decisão humana.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Energia

O Estado de São Paulo, 12/11/09
Cai liminar que suspendia licenciamento de Belo Monte
LEONARDO GOY - Agencia Estado

BRASÍLIA - O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) conseguiu derrubar hoje à noite, no Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, com sede em Brasília, a liminar que suspendia o processo de licenciamento da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA).A liminar havia sido concedida na terça-feira pelo juiz Edson Grillo, da Justiça Federal de Altamira (PA), a pedido do Ministério Público Federal (MPF) no Estado. O MPF argumentava que as quatro audiências públicas promovidas pelo Ibama na região da obra não teriam sido suficientes para debater o projeto. Segundo a assessoria de comunicação do Ibama, a liminar caiu porque prevaleceu o argumento, apresentado no recurso, de que cabe ao Ibama, e não à Justiça, definir a quantidade e os locais das audiências.Com a derrubada da liminar, os técnicos do Ibama podem voltar a analisar o projeto. A liberação da licença de Belo Monte está atrasada. Originalmente o governo previa que a autorização saísse no dia 26 deste mês. O presidente do Ibama, Roberto Messias, tem argumentado que a demora se deve ao grande volume de dados a serem analisados e à própria complexidade da obra. Sem a licença prévia do Ibama, o governo não pode realizar o leilão de concessão do projeto da hidrelétrica, previsto para o dia 21 de dezembro. Com 11,2 mil megawatts (MW) de potência, Belo Monte é o maior projeto de geração de energia elétrica do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Canal Energia

Blecaute foi causado por queda de raios em três circuitos
Nordeste teve perda de carga de 800 MW, enquanto o Centro-Oeste teve queda de 279 MW e o Sul, 510 MW. Sudeste foi a região mais impactada
Fábio Couto, da Agência CanalEnergia, Operação e Manutenção
11/11/2009
O blecaute que deixou 18 estados do país sem energia - total ou parcialmente - foi causada por descargas atmosféricas em três circuitos que ligam Ivaiporã (PR) a Itaberá (SP), cuja consequência foi a perda de 40%, aproximadamente, da carga total demandada no momento do desligamento - 28,8 mil MW dos cerca de 70 mil MW demandados pelo país. A conclusão foi apresentada pelo governo após reunião que analisou as causas do incidente. O fato resultou ainda na abertura de duas linhas de transmissão que transportam energia de Itaipu, resultando num efeito dominó, com abertura de pelo menos outras 15 linhas.Segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a recomposição do sistema foi considerada rápida diante da complexidade do sistema elétrico, o que leva a avaliação de que a malha de transmissão é robusta. Segundo ele, na maior parte do país e no Paraguai, a energia foi restabelecida em 15 minutos, enquanto em outras regiões, a normalidade retornou após quatro horas. O secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, explicou que existem padrões para recomposição média da energia.O ministro destacou que o blecaute de 1999 resultou em perda de 70% da carga, enquanto que em 2001, a perda de carga ficou em 60%. Lobão destacou que o maior reflexo se deu nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde a retomada da energia se deu mais demoradamente.Lobão contou que o Nordeste teve perda de carga de 800 MW, enquanto o Centro-Oeste teve queda de 279 MW e o Sul, 510 MW. No momento do blecaute, Itaipu disponibilizava carga de 11 mil MW dos 14 mil MW de capacidade instalada. Ele explicou ainda que as termelétricas não puderam ser despachadas porque o problema não foi de oferta de energia, mas sim na própria transmissão. O ministro salientou que apesar de o blecaute ter sido causado por conta de queda de raios, a saída será o fortalecimento ainda maior da malha do setor.Além disso, a região é considerada como de alta incidência de descargas elétricas, segundo afirmou o ministro na entrevista coletiva para apresentar as causas do blecaute, com base em informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Já o diretor de Operações do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Eduardo Barata, afirmou que a perda de carga não foi maior porque o blecaute aconteceu fora do horário de pico - às 22:15, quando a ponta é verificada entre 18 horas e 21 horas.

Agência Brasil

12/11/09
Presidente da Eletrobrás diz que problema deveria ter sido isolado em Itaberá
Nielmar de Oliveira - Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - O presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz, disse à Agência Brasil que deveria ter ocorrido o "ilhamento" do problema que originou a falta de luz em 18 estados do país. Segundo ele, houve falha e é preciso investigar o motivo que levou o sistema de segurança a não ser ativado.“Nós tivemos um problema meteorológico em Itaberá que levou à queda das três linhas de 750 quiloVolt (kV), o que significa dizer que perdemos a capacidade de transmitir metade da energia gerada por Itaipu. Deveria ter acontecido o ilhamento do problema para possibilitar o religamento do sistema. Mas como isto não aconteceu, aí o problema se estendeu para as duas linhas de corrente contínua que liga Itaipu a São Paulo. O que é preciso levantar é porque não entrou em operação o sistema chamado ERAT que existe exatamente para levar ao ilhamento”.O presidente da holding que controla as empresas de energia do governo disse que não houve problema de falta de energia, mas sim uma interrupção temporária nas linhas de transmissão. Para ele, o sistema elétrico está bem dimensionado e os investimentos foram feitos. Muniz lembrou o fato de que, dentro do planejamento energético elaborado para o país, várias novas usinas, principalmente hidroelétricas de grande capacidade de geração, estão em fase de construção ou de licitação - citando as usinas do Rio Madeira e de Belo Monte, no Pará, que entrá prevista para entrar em operação em 2014 interligando as regiões Norte e Sul e, consequentemente, fortalecendo o sistema elétrico brasileiro. “Com as obras que estão planejadas e sendo executas, nós não temos dúvidas de que vamos atender ao aumento da demanda. O sistema não só está apto a atender ao crescimento, como a população pode ficar tranquila, porque acidentes como este dificilmente voltarão a se repetir”. “Eu não tenho dúvidas de que o sistema elétrico brasileiro está preparado para atender à demanda de energia por parte da população, como também está preparado para atender ao crescimento econômico do país esperado para os próximos anos. O que houve foi um problema no sistema de transmissão, tanto que restabelecida a operação, o país está funcionando dentro da normalidade do ponto de vista energético desde às 4h da manhã desta terça-feira”.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Energia

Canal Energia
Índice Aneel de Satisfação do Consumidor terá resultados divulgados neste mês
Cerimônia de premiação de distribuidoras melhor avaliadas está prevista para acontecer no auditório da agência, em Brasília, no próximo dia 25
Da Agência CanalEnergia, Consumidor

06/11/2009 A Agência Nacional de Energia Elétrica divulgará no próximo dia 25 de novembro os resultados da pesquisa que apurou o Índice Aneel de Satisfação do Consumidor (Iasc) deste ano. A cerimônia de premiação das distribuidoras melhor avaliadas por seus consumidores nesse ano está prevista para acontecer às 10 horas, no auditório da agência, em Brasília. O Iasc reflete a percepção do consumidor sobre a qualidade dos serviços prestados pelas 63 distribuidoras do país. No total, 25 concessionárias finalistas concorrem em nove categorias de premiação.O levantamento da edição deste ano da pesquisa Iasc foi realizado entre os dias 13 de julho e 26 de agosto. Durante este período 19.340 consumidores residenciais em 475 municípios brasileiros foram entrevistados sobre o desempenho dos serviços prestados pelas concessionárias em suas respectivas áreas de atuação.

O Estado de São Paulo

09/11/09
Petrobrás pode ter descoberto megareserva de gás no Peru
Estatal brasileira teria encontrado no país reserva de até 5 trilhões de pés cúbicos do combustível Marcílio Souza, da Agência Estado

LIMA - O presidente do Peru, Alan García, disse nesta última quinta-feira, 5, que a Petrobrás pode ter feito uma descoberta de até 5 trilhões de pés cúbicos de gás natural no bloco 58, na região amazônica do país. Caso seja confirmada, a descoberta poderá atender as necessidades de gás do Peru até 2050, disse García."Eu recebi uma informação diretamente da selva de que o Bloco 58 possui uma grande quantidade de gás", disse García. Ele afirmou que deverá receber mais confirmação nesta sexta-feira do Bloco 58, que é uma área de exploração relativamente nova. García disse que a descoberta, de possivelmente quatro a cinco trilhões de pés cúbicos em reservas novas, foi feita no poço Urubamba, um dos cinco do bloco 58. "Se isso for confirmado - e parece que no primeiro poço há muito mais do que um trilhão de pés cúbicos de gás e esse é apenas um dos cinco poços ou estruturas -, podemos dizer que demos um salto na segurança de energia", disse García. O presidente afirmou que o Peru tem atualmente até 15 trilhões de pés cúbicos de gás em reservas em seus blocos do sul - até três trilhões de pés cúbicos no bloco 56, mais de nove trilhões no bloco 88 e dois trilhões no bloco 57. As informações são da Dow Jones.

O Globo

09/11/09
Pré-sal vai produzir 1,8 milhão de barris por dia em 2020, diz Gabrielli
Investimentos chegarão a US$ 111 bilhões, diz presidente da Petrobras.
Empresa levou 53 anos para atingir produção de 1,8 milhão barris diários.A Petrobras prevê atingir a marca de 1,8 milhão de barris diários de petróleo extraído da camada pré-sal em 12 anos, disse o presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, em vídeo publicado neste domingo (8) no blog da estatal. Atualmente, são produzidos apenas 30 mil barris diários do pré-sal.“O que nós fizemos em 53 anos pretendemos fazer em 12 anos”, disse Gabrielli, em referência à produção total da empresa em 2006, de 1,8 milhão de barris diários. Atualmente, a produção diária é de 2,5 milhões de barris. “Esse número é muito interessante porque de 2009 a 2020 estamos falando em 12 anos. Lembre-se que a Petrobras levou 53 anos para atingir a marca de 1,8 milhão de barris."Segundo Gabrielli, a Petrobras vai investir US$ 11 bilhões até 2020 para atingir a meta prevista de extração do pré-sal. Até 2013, a empresa deve investir US$ 28,9 bilhões e atingir a meta de 220 mil barris diários originários do pré-sal. Hoje, a Petrobras produz cerca de 30 mil barris do pré-sal –15 mil de um poço na área de Tupi, no litoral do Rio, e outros 15 mil do campo de Jubarte, na costa do Espírito Santo. Gabrielli lembra no blog que a indústria do petróleo no Brasil movimenta cerca de 10% do PIB, 7% das exportações brasileiras e 12,5% da arrecadação federal, o que permitiria investimentos em outras áreas da economia não ligados à indústria do óleo.Preço dos combustíveis Gabrielli disse que o aumento da produção não significará preços menores dos combustíveis no mercado interno. “Infelizmente não é possível isso, a menos que nós isolemos o país. O Brasil não é uma ilha isolada do mundo. O petróleo não pode ser desconectado do mercado internacional.” afirmou.Segundo ele, a empresa mantém uma “relação de longo prazo” com o mercado brasileiro. “A verdade é que nós temos uma política de que não repassamos ao mercado brasileiro as variações diárias dos preços internacionais. Nós mantemos uma relação de longo prazo, porque em última instância o que nós não estamos pagando não é o custo de produção do barril do petróleo, porque o petróleo é um produto que se esgota, no tempo ele vai se exaurir. Então, o custo do petróleo na verdade é o custo do novo barril, que você precisa encontrar e produzir para incluir, e esse custo é um custo internacional, infelizmente”, disse. Biocombustíveis O presidente da Petrobras disse que a empresa mantém sua meta de aumentar sua produção de biocombustíveis. “Continuamos comprometidos em ampliar a produção, incluindo novas tecnologias, para exportar e aumentar nossa presença na produção de etanol. Estamos planejando a construção de alcodutos para trazer a nova produção de etanol para porto e viabilizar mais exportações”, declarou. Gabrielli disse que a empresa vai manter seu foco na produção de combustíveis líquidos, apesar de manter alguns investimentos em fontes alternativas de energia. “Estamos fortemente concentrados na produção de etanol e biodiesel. Temos pequenos investimentos em [energia] eólica e solar. Achamos que a ênfase do nosso investimento deve ser nos combustíveis líquidos.” Acionistas Sobre a ampliação da oferta de ações da empresa, Gabrielli disse que os pequenos acionistas que não exercerem sua opção de compra para dobrar a participação na composição acionária – que deve ocorrer com a capitalização da Petrobras – terão uma diluição na participação dos dividendos, mas serão beneficiados no longo prazo pela valorização dos papéis da companhia.“Nenhum acionista será prejudicado. Todo acionista terá o direito de comprar as ações na mesma proporção em que têm hoje. Se não quiser comprar, não exercerá o seu direito e vai reduzir, será um pouco diluído, no ganho dos dividendos. Porém, o valor da Petrobras aumentará, porque o capital aumentará e você [acionista] acabará sendo beneficiado pelo crescimento, no futuro, do valor da Petrobras”, afirmou Gabrielli.