quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Energia

Folha de São Paulo, 23/01/13
Eletrobras reduz custos e ações já dispararam 41% desde 8 de janeiro
Com a perspectiva de o grupo Eletrobras perder R$ 8,7 bilhões por ano em receita após aceitar a renovação de suas concessões que venceriam até 2017, algumas subsidiárias da estatal do setor de energia já iniciaram a redução de despesas antes mesmo de a direção aprovar o novo plano de negócios para readequar os custos da companhia à nova realidade.
No domingo (20), a Folha mostrou que, para compensar a perda de receita com a diminuição das tarifas, as estatais elétricas estão cortando investimentos em patrocínio social, esportivo e institucional.
Os cortes vão da redução de horas extras ao cancelamento de patrocínios esportivos e institucionais e são cruciais para a empresa compensar a forte queda na receita devido à aceitação integral dos novos preços estipulados pelo governo para a energia elétrica gerada por hidrelétricas em troca da prorrogação das concessões por mais 30 anos.
Desde 8 de janeiro, a ação preferencial B da Eletrobras já acumula valorização de 41,4%. Hoje, o papel liderou os ganhos do Ibovespa (principal índice de ações da Bolsa brasileira) e subiu 6,2%. Foi o décimo pregão consecutivo de alta.
Formalmente, a Eletrobras ainda está analisando onde cortar despesas --o novo plano de negócios deve ser aprovado e até o fim do primeiro trimestre. Algumas controladas e até a própria holding, no entanto, já começaram a buscar economias.
ESPORTES
A Eletrobras está cortando patrocínios esportivos. Segundo uma fonte no grupo, o contrato anual de R$ 16 milhões com o clube Vasco da Gama deve ser cancelado.
No basquete, a holding deve cancelar as verbas da liga nacional masculina de basquete (NBB), da liga feminina e do basquete Master neste ano. Apenas o patrocínio às seleções da CBB (Confederação Brasileira de Basquete) devem ser mantidos --e há negociações para reduzir o valor do patrocínio.
Em 2012, o basquete recebeu R$ 16,2 milhões em aportes da estatal.
Na Eletrosul, os cortes atingiram dois dos principais times de futebol de Santa Catarina. A empresa encerrou em dezembro os contratos com Avaí e Figueirense, que somavam cerca de R$ 6,1 milhões por ano, segundo a assessoria de imprensa da estatal.
Também em dezembro, a Eletrosul anunciou o cancelamento dos editais de patrocínios sociais e institucionais que valeriam para 2013, economizando mais R$ 1,5 milhão.
CHESF E FURNAS
Na geradora e transmissora de energia Chesf, a meta é reduzir o custeio em cerca de 20% (R$ 200 milhões por ano), segundo uma fonte da companhia. Além de um PDV (Plano de Demissão Voluntária), a empresa tem cortado horas extras e verbas com viagens.
Os ajustes já estão sendo feitos. Desde setembro, a empresa suspendeu por tempo indeterminado o recebimento de propostas de patrocínio.
Também em setembro, Furnas divulgou um plano para reduzir o quadro de funcionários em mais de um terço e cortar despesas operacionais para melhorar os resultados.
Na ocasião, o presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, explicou que o programa de reestruturação em Furnas estava em andamento havia um ano e meio, quando o governo federal sinalizou que a renovação das concessões elétricas seria onerosa às empresas e resultaria na queda das tarifas aos consumidores.
DISTRIBUIDORAS
Uma das maiores dificuldades da holding será fazer ajustes nas despesas de pessoal, disse uma das fontes. Apesar de não ser uma empresa operacional, ela tem atualmente cerca de 1.300 funcionários.
Outra questão que continua na pauta da Eletrobras --e que pode ajudar na redução de custos-- é a possibilidade de vender o controle das seis distribuidoras federalizadas, tradicionais acumuladoras de prejuízos que pesam no balanço do grupo.
Segundo uma das fontes, uma possibilidade em análise é vender o controle das empresas, mas manter a Eletrobras como sócia minoritária das empresas, e recuperar o dinheiro injetado nessas distribuidoras com a gestão privada das companhias.
As distribuidoras atuam em seis Estados (Acre, Amazonas, Alagoas Piauí, Rondônia, e Roraima) e, segundo a própria Eletrobras, só devem sair do vermelho a partir de 2014.



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